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domingo, 9 de fevereiro de 2014

PDF-O Anti-Édipo Capitalismo e Ezquizofrenia - Gilles Deleuze & Féliz Guattari

 Livro: O Anti-Édipo Capitalismo e Ezquizofrenia de Deleuze e Guattari 

Este é um livro revolucionário, em múltiplos sentidos. Não só porque seus autores o escreveram sob o influxo de Maio de 68, mas sobretudo porque seu alvo é compreender e libertar a potência revolucionária do desejo, dinamitando as categorias em que a psiquiatria e a psicanálise o enquadraram.
     No centro do conflito está a concepção freudiana do inconsciente como teatro e representação - e sua pedra de toque, o drama de Édipo. Para Deleuze e Guattari, ao contrário, o inconsciente não é teatro, mas usina; não é povoado por atores simbólicos, mas por máquinas desejantes; e Édipo, por sua vez, não passa da história de um longo "erro" que bloqueia as forças produtivas do inconsciente, aprisiona-as no sistema da família e assim as remete a um teatro de sombras.
     Com agilidade impressionante, O anti-Édipo combina dispositivos da filosofia, da literatura, da antropologia, da arte, da economia, da ciência, da política e da biologia - além de um sem-número de alusões e citações que correriam o risco de passar despercebidas não fosse o trabalho rigoroso do tradutor Luiz B. L. Orlandi, que dotou esta edição de valiosas notas informativas -, para articular uma crítica radical da cultura que acabou por definir uma das linhas de força do pensamento contemporâneo. 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Clássicos de Milton Santos Livros para baixar (PDF)

Link Para Download Milton Santos eternamente




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Desenvolvimento econômico e urbanização em países subdesenvolvidos: os dois sistemas de fluxo da economia urbana e suas implicações espaciais:

A questão do meio ambiente: desafios para a construção de uma perspectiva transdisciplinar

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O Meio Ambiente: O Discurso Geografico(Artigo Completo)

O MEIO AMBIENTE: O DISCURSO GEOGRÁFICO
RUMO A TRANSDISCIPLINARIDADE
Edson Soares Fialho
Departamento de Artes e Humanidades - Geografia
Universidade Federal de Viçosa (UFV) 

         Atualmente, a Geografia tem a tarefa de entender o espaço geográfico, cada vez mais dinâmicocom uso de novas tecnologias, possibilitando a circulação de produtos e o incremento do consumo num mundo capitalista que entende a natureza como elemento passível de ser privatizado, portanto transformado em mercadoria. Em conseqüência disso, possibilita maior distanciamento entre o tempo do ser humano e o tempo da natureza.
A redução das distâncias geográficas potencializa e amplifica os problemas socioambientais, tornando-os de ordem mundial. Na tentativa de reverter o descompasso entre necessidades e demandas de mercadorias, elemento catalisador de uma identidade ou condição de status-quo, acaba por pressionar a natureza, que cada vez mais, torna-se fragmentada.

A conseqüência disso é o aumento dos problemas sociais e ambientais. Nesse sentido, Layrargues [1] procura introduzir na discussão da problemática socioambiental, o papel dos serviços ambientais prestados pela natureza, tais como: produção de água, contenção das encostas, manutenção dos ciclos de nutrientes no solo, dentre outros e seus benefícios, distribuídos pela natureza, indistintamente à humanidade, com objetivo de criar uma nova percepção que abala o princípio dapropriedade privada, pois os serviços ambientais, enquanto externalidades positivas, são, por excelência, um patrimônio coletivo.
Considerar a natureza enquanto um patrimônio coletivo implica na redefinição do conceitode propriedade. Nessa questão, o sistema jurídico, quando envolvido em pendências ambientais, confronta diretamente o proprietário de um bem contra os interesses da coletividade. Na medidaem que, o serviço ambiental se dissemina de modo aleatório pela sociedade, o sistema jurídico não teria outra possibilidade que não interpretá-lo como de interesse difuso. Este está em função de um número indeterminado de sujeitos, revelando a recente vulnerabilidade do status–quoneoliberal centrado no indivíduo.
Nessa perspectiva, a Ciência Geográfica reaparece no cenário das ciências como uma ferramenta de auxílio no entendimento dos problemas do nosso cotidiano e dos problemas mundiais, que são colocados pelos meios de telecomunicações. Em razão disso, os professores de Geografia são cada vez mais requisitados, após a Rio-92, em suas práticas pedagógicas, a responderem questões relacionadas ao meio ambiente.

DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS - AZ'ABSABER

Domínios Morfoclimáticos
Az'Absaber
                                                                                     


Os Domínios Morfoclimáticos
Os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir das características climáticas, botânicas, pedológicas, hidrológicas e fitogeográficas; com esses aspectos é possível delimitar seis regiões de domínio morfoclimático. Devido à extensão territorial do Brasil ser muito grande, vamos nos defrontar com domínios muito diferenciados uns dos outros. Esta classificação feita, segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber (1970), dividiu o Brasil em seis domínios:
I – Domínio Amazônico – região norte do Brasil, com terras baixas e grande processo de sedimentação; clima e floresta equatorial;
II – Domínio dos Cerrados – região central do Brasil, como diz o nome, vegetação tipo cerrado e inúmeros chapadões;
III – Domínio dos Mares de Morros – região leste (litoral brasileiro), onde se encontra a floresta Atlântica que possui clima diversificado;
IV – Domínio das Caatingas – região nordestina do Brasil (polígono das secas), de formações cristalinas, área depressiva intermontanhas e de clima semi-árido;
V – Domínio das Araucárias – região sul brasileira, área do habitat do pinheiro brasileiro (araucária), região de planalto e de clima subtropical;
VI – Domínio das Pradarias – região do sudeste gaúcho, local de coxilhas subtropicais.



I – Domínio Morfoclimático Amazônico
Situação Geográfica
Situado ao norte brasileiro, o domínio Amazônico é a maior região morfoclimática do Brasil, com uma área de aproximadamente 5 milhões km² – equivalente a 60% do território nacional – abrangendo os Estados: Amazonas, Amapá, Acre, Pará, Maranhão, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso. Encontram-se como principais cidades desta região: Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Santarém.
Características do Povoamento
A região é pouco povoada, sua densidade demográfica é de aproximadamente 2,88 hab./km². Isto se deve ao fato da grande extensão territorial e dos difíceis acessos ao interior dessa área. Nesse sentido, o governo em 1970, fez o programa de ocupação populacional na região amazônica, com migrações oriundas do nordeste. A extração da borracha permitiu desenvolver esta área, antes inóspita economicamente, numa região de alta produtividade, seja ela econômica, cultural ou social. Nessa época, muitas cidades foram afetadas com o crescimento gerado pelo capital. O governo continuou auxiliando e orientando o desenvolvimento da região e incorpora em Manaus a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que trouxe para a capital amazonense muitas indústrias transnacionais. Tanto foi a resposta desta “zona livre”, que antes da Zona Franca de Manaus, a mesma cidade detinha uma população de 300 mil/hab e com a instalação desta área, passou para 800 mil/hab. Outros projetos são instalados pelo governo federal na região amazônica, como: o Projeto Jari, o Programa Calha Norte, o PoloNoroeste e o Projeto Grande Carajás. Com isso, inicia-se a exploração mineral e vegetal da Amazônia. Mas os resultados desses projetos foram pobres em sua maioria, pois com a retirada da vegetação natural o solo tornava-se inadequado ao cultivo da agricultura.
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Este domínio sofre grande influência fluvial, já que aí se encontra a maior bacia hidrográfica do mundo – a bacia amazônica. A região passa por dois tipos de estações flúvio-climáticas, a estação das cheias dos rios e a estação da seca, porém esta última estação não interrompe o processo pluviométrico diário, só que em índices diferentes. O transporte existente também é influenciado pela enorme rede hidrográfica, enquanto que o rodoviário é quase inexistente. Assim, o transporte fluvial e o aéreo são muito utilizados devido às facilidades encontradas neste domínio. Como se trata de uma floresta equatorial considerada um bioma riquíssimo, é de fundamental importância entendê-la para não desestruturar seu frágil equilíbrio. Devido à existência de inúmeros rios, a região sofre muita sedimentação por parte fluvial, já que a precipitação é abundante (2.500 mm/ano), transformando a região numa grande “esponja” que detém altas taxas de umidade no solo. Este mesmo solo é formado basicamente por latossolos, podzólicos e plintossolos, mas o mesmo não detém características de ser rico à vegetação existente, na verdade, o processo de precipitação é o que torna este domínio morfoclimático riquíssimo em floresta hidrófita e não o solo, como muitas pessoas pensam que é o responsável por tudo isto. Valendo destacar os tipos de matas encontradas na Amazônia, como: de iaipó – de regiões inundadas; de várzea – de regiões inundadas ciclicamente e de terras altas – que dificilmente são inundadas. As espécies de árvores encontradas nesta região são: castanaha-do-pará, seringueira, carnaúba, mogno, etc. (essas duas últimas em extinção); os animais: peixe-boi, boto-cor-de-rosa, onça-pintada; e a flora com a vitória régia e as diversas orquídeas.
Com um grande processo de lixiviação encontrado na Amazônia, essa ação torna o solo pobre levando todos os seus nutrientes pela força da capacidade do rio (correnteza). Mas esta riqueza diversa não deve ser confundida como grande potencialidade agrícola, pois com a retirada da vegetação nativa, transforma o solo num grande alvo da erosão, devido as fortes chuvas ocorridas na região. A rede hidrográfica é outra fonte de potencialidade econômica da Amazônia, pois seus leitos fluviais são de grande piscosidade, o que torna a área num importante atrativo natural para o turismo, às indústrias pesqueiras e a população ribeirinha. Com um clima equatorial, sem muitas mudanças de temperatura ao longo do ano, a região amazônica diferencia-se apenas nas épocas das chuvas (ou cheias dos rios) e das secas. Assim esta primeira época faz com que os rios transbordem e nutram as áreas de terras marginais ao leito dos mesmos. Com um solo essencialmente argiloso e a forte influência do escoamento fluvial, faz com que a Amazônia torna-se uma área de terras baixas, decapitando as formações existentes no seu substrato rochosos.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Nos dias atuais é grande a devastação ambiental na Amazônia – queimadas, desmatamentos, extinção de espécies, etc. – fazem com que a região e o mundo preocupe-se com seu futuro, pois se trata da maior reserva florestal do globo. Ecologicamente a Amazônia está correndo muito perigo, devido ao grande atrativo econômico natural que é encontrado nesta região, o equilíbrio é colocado muitas vezes em risco. A exploração descontrolada faz com que as ideologias conservacionistas sejam deixadas de lado. As indústrias mineradoras geram consequências incalculáveis ao ambiente e nos rios são despejados muitos produtos químicos para esta exploração. A agricultura torna áreas de vegetação em solos de fácil erosividade e em resposta a tudo isso, gera-se um efeito “dominó” no meio ambiente, onde um é responsável e necessário para o outro. São poucas as atividades econômicas que não agridem a natureza. A extração da borracha, por exemplo, era uma economia viável ecologicamente, pois necessitava da floresta para o crescimento das seringueiras. Mas atualmente, esta exploração é quase rara, devido à falta de indústrias consumidoras. Nesse sentido, deverão ser tomadas medidas de aprimoramento nas explorações existentes nesta região, para que deixem de causar imensas sequelas ao ambiente natural.
II – Domínio Morfoclimático dos Cerrados
Situação Geográfica
Formado pela própria vegetação de cerrado, nesta área encontram-se as formações de chapadas ou chapadões como a Chapada dos Guimarães e dos Veadeiros, a fauna e flora ali situada, são de grande exuberância, tanto para pontos turísticos, como científicos. Vale destacar que é da região do cerrado que estão três nascentes das principais bacias hidrográficas brasileiras: a Amazônica, a São-Franciscana e a Paranáica.
Localizado na região central do Brasil, o Domínio Morfoclimático do Cerrado detém uma área de 45 milhões de hectares, sendo o segundo maior domínio por extensão territorial. Incluindo neste espaço os Estados: do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, do Tocantins (parte sul), de Goiás, da Bahia (parte oeste), do Maranhão (parte sudoeste) e de Minas Gerais (parte noroeste). Encontrado ao longo de sua área cidades importantes como: Brasília, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Palmas e Montes Claros.
Características do Povoamento
Devido a sua localização geográfica ser no interior brasileiro, o povoamento e a ocupação territorial nesta região era fraca, mas o governo federal vem a intervir com os programas de políticas de interiorização do desenvolvimento nos anos 40 e 50, e da política de integração nacional dos anos 70. A primeira é baseada, principalmente, na construção de Brasília e a segunda, nos incentivos aos grandes projetos agropecuários e extrativistas, além de investimentos de infra-estrutura, estradas e hidroelétricas. Com estes recursos, a região vem a atrair investidores e mão-de-obra, e consequentemente ocorre um salto no crescimento populacional de cada Estado, como no Mato Grosso que em 1940 sua população era de 430 mil/hab. e em 1970 vai para 1,6 milhões/hab. Tal foi à resposta destes programas, que nos dias de hoje o setor agrícola do cerrado ocupa uma ótima colocação em produção, em virtude de migrações do sul do Brasil.
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Centrada no planalto brasileiro, o domínio do cerrado é dividido pelas formações de chapadas que existem ao longo de sua extensão territorial, estas que são “gigantescos degraus” com mais de 500 metros de altura, formadas na era geológica Pré-Cambriana, limitam o planalto central e as planícies – como a Pantaneira. Com sua flora única, constituída por árvores herbáceas tortuosas e de aspecto seco, devido à composição do solo, deficiente em nutrientes e com altas concentrações de alumínio, a região passa por dois períodos sazonais de precipitação, os secos e os chuvosos. Com sua vegetação rasteira e de campos limpos, o clima tropical existente nesta área, condiz a uma boa formação e um ótimo crescimento das plantas. Também auxiliado pela importante rede hidrográfica da região, de onde são oriundas nascentes das três maiores bacias hidrográficas do Brasil como foi destacado no início. Isto lhe dá uma imensa responsabilidade ambiental, pois denota a sua significativa conservação natural. Com um solo formado principalmente por latossolos, areais quartzosas e podzólicos; constituem assim um solo carente em nutrientes fertilizantes, necessitando de correção para compor uma terra viável à agricultura. Observa-se também, que este mesmo solo apresenta características à fácil erosividade devido às estações chuvosas que ali ocorrem e principalmente a degradação ambiental descontrolada, estes processos fazem a remoção da vegetação nativa que tornam frágeis os horizontes “A” frente aos problemas ambientais existentes, como a voçoroca.
Condições Ambientais e Ecologicamente Sustentáveis
Em vista desses aspectos fisiográficos, o cerrado atraiu muita atenção para a agricultura, o que lhe tornou uma região de grande produção de grãos como a soja e agropastoril, com a ótima adaptação dos gados zebu, nelore e ibagé. Em virtude disso, o solo nativo foi retirado e alterado por outra vegetação, condizendo a uma maior facilidade aos processos erosivos, devido à falta de cobertura vegetal, seja ela gramínea ou herbácea. Nesse sentido, faz-se muito pouco pela preservação e conservação das matas nativas – a não ser nas áreas demarcadas como reservas bio-ecológicas. Outra exploração ativa é a mineral, como o ouro e o diamante, donde decorre uma grande devastação à natureza. Dessa forma, os governos, tanto federal, estadual ou municipal, deverão tomar decisões imediatas quanto à proteção do meio natural, pois deve ocorrer, sim, a exploração pastoril, agrícola e mineral dessa região, porém não se deve esquecer que para a efetiva existência dessas economias o ambiente deverá ser prudentemente conservado.

III – Domínio Morfoclimático de Mares de Morros
Situação Geográfica
Este domínio estende-se do sul do Brasil até o Estado da Paraíba (no nordeste), obtendo uma área total de aproximadamente 1.000.000 km². Situado mais exatamente no litoral dos Estados do: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, da Bahia, Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba; e no interior dos Estados, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Incluindo em sua extensão territorial cidades importantes, como: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Recife, Porto Alegre e Florianópolis.
Características de Povoamento
Como encontra-se na região litorânea leste do Brasil, foi o primeiro lugar a ser descoberto e colonizado pelos portugueses – tanto que é em Porto Seguro, Bahia, que atracou o navegante Pedro Álvares Cabral, descobrindo o Brasil. Com isso, a primeira capital da colônia portuguesa na América foi Salvador, onde iniciaram-se os processos de colonização e povoamento, respectivamente. É neste domínio que estão as duas maiores cidades brasileiras – São Paulo e Rio de Janeiro. Isto se deve a antiga constituição das duas cidades como centros econômicos, integradores, culturais e políticos. Foram muitos os resultados desse povoamento, como por exemplo, a maior concentração populacional do Brasil e a de melhor base econômica.
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Como o próprio nome já diz, é uma região de muitos morros de formas residuais e curtos em sua convexidade, com muitos movimentos de massa generalizados. Os processos de intemperismo, como o químico, são frequentes, motivo pelo qual as rochas da região encontram-se geralmente em decomposição. Tem uma significativa gama de redes de drenagens, somados à boa precipitação existente (1.100 a 1.800 mm a/a e 5.000 mm a/a nas regiões serranas), que é devido à massa de ar tropical atlântica (MATA) e aos ventos alísios de sudeste, que ocasionam as chuvas de relevo nestas áreas de morros. Assim, os efeitos de sedimentação em fundos de vale e de colúvios nas áreas altas são muito intensos. A vegetação natural é da mata chamada Atlântica, com poucas áreas nativas de suma importância aos ecossistemas ali existentes. Sua flora e fauna são de grande respaldo ambiental e o solo é composto em sua maioria por latossolos e podzólicos, sendo muito variável. A textura se contradiz de região para região, pois é encontrado tanto um solo arenoso como argiloso. Como a sua extensão territorial alarga-se entre Norte – Sul, seu clima dependerá da sua situação geográfica, diferenciando-se em: tropical, tropical de altitude e subtropical.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Lembrando que foi colocado anteriormente em relação ao povoamento, essas terras já estão sendo utilizadas economicamente há muitos anos. Decorrente disso, observa-se uma considerável desgastação do solo que elucida uma atual preservação das matas restantes. Esta região já sofreu muita devastação do homem e da sociedade e devem ser tomadas atitudes urgentes para sua conservação. Existem muitos programas, tanto do governo como privados, para a proteção da mata atlântica. Destaca-se por exemplo, a Fundação O Boticário (privado), que detém áreas de preservação ao ambiente natural e o SOS Mata Atlântica (governamental e privado). Neste sentido, a solução mais adequada para este domínio, seria a estagnação de muitos processos agrícolas ao longo de sua área, pois o solo encontra-se desgastado e com problemas erosivos muito acentuados. Deixando assim, a terra “descansar” e iniciar um projeto de reconstituição à vegetação nativa.
IV – Domínio Morfoclimático das Caatingas
Situação Geográfica
Situado no nordeste brasileiro, o domínio morfoclimático das caatingas abrange em seu território a região dos polígonos das secas. Com uma extensão de aproximadamente 850.000 km², este domínio inclui o Estado do Ceará e partes dos Estados da Bahia, de Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Piauí. Tendo como principais cidades: Crato, Petrolina, Juazeiro e Juazeiro do Norte.
Características do Povoamento
Sendo uma das áreas junto ao domínio morfoclimático dos mares de morros, de colonização pelos europeus (portugueses e holandeses), sua história de povoamento já é bastante antiga. A caatinga foi sempre um palco de lutas de independência, seja ela escravista ou nacionalista. A região tornou-se alvo de bandidos e fugitivos contrários ao Reinado Português e posteriormente ao Império Brasileiro. Como o domínio das caatingas localiza-se numa área de clima seco, logo chamou a atenção dos mesmos para refugiarem-se e construírem suas “fortalezas”, chamados de cangaceiros. Com isso o processo de povoamento, instaurados nos anos 40 e 50, centrou-se mais em áreas próximas ao litoral, mas o governo federal investiu em infra-estrutura na construção de barragens, açudes e canais fluviais, surgindo assim o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Entretanto, o clima “desértico” da caatinga, prejudicou muito a ocupação populacional nesta região, sendo que a caatinga continua sendo uma área preocupante no território brasileiro em vista do seus problemas sociais, que são imensos. Valendo destacar que com todos esses obstáculos sociais e naturais da caatinga, seus habitantes partem para migração em regiões como a Amazônia e o sudeste brasileiro, chamada de migrações de transumância (saída na seca e volta na chuva).
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Com o seu clima semi-árido, o solo só poderia ter características semelhantes. Sendo raso e pedregoso, o solo da caatinga sofre muito intemperismo físico nos latossolos e pouca erosão nos litólicos e há influência de sais em solo, como: solonetz, solodizados, planossolos, solódicos e soonchacks. Segundo Ab´Saber, a textura dos solos da caatinga passa de argilosa para textura média, outra característica é a diversidade de solos e ambientes, como o sertão e o agreste. Mesmo tendo aspectos de um solo pobre, a caatinga nos engana, pois necessita apenas de irrigação para florescer e desenvolver a cultura implantada. Tendo pouca rede de drenagem, os mínimos rios existentes são em sua maioria sazonais ao período das chuvas, que ocorrem num curto intervalo durante o ano. Porém existe um “oásis” no sertão nordestino, o Rio São Francisco, vindo da região central do Brasil, irriga grandes áreas da caatinga, transformando suas margens num solo muito fértil – semelhante o que ocorre com as áreas marginais ao Rio Nilo, no Egito. Neste sentido, comprova-se que a irrigação na caatinga pode e deve ser feita com garantia de bons resultados. Outro fato que chama a atenção, é a vegetação sertaneja, pois ela sobrevive em épocas de extrema estiagem e em razão disso sua casca é dura e seca, conservando a umidade em seu interior. Assim, a região é caracterizada por uma vegetação herbácea tortuosa, tendo como espécies: as cactáceas, o madacaru, o xique-xique, etc.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Devido o homem não intervir de significativa maneira em seu habitat, o ambiente natural da caatinga encontra-se pouco devastado. Sua região poderia ser ocupada mais a nível agrícola, em virtude do seu solo possuir boas condições de manejo, só necessitando de irrigação artificial. Assim, considerando os fatos apresentados, a caatinga teria condições de desenvolver-se economicamente com a agricultura, que seria de suma importância para acabar com a miséria existente. Mas sem esquecer de utilizar os recursos naturais com equilíbrio, sendo feito de modo organizado e pré-estabelecido à não causar desastres e consequências ambientais futuros.
V – Domínio Morfoclimático das Araucárias
Situação Geográfica
Encontrado desde o sul paulista até o norte gaúcho, o domínio das araucárias ocupa uma área de 400.000 km², abrangendo em seu território cidades importantes, como: Curitiba, Ponta Grossa, Lages, Caxias do Sul, Passo Fundo, Chapecó e Cascavel.
Características do Povoamento
A região das araucárias foi povoada no final do século XIX, principalmente por imigrantes italianos, alemães, poloneses, ucranianos etc. Com isto, os estrangeiros diversificaram a economia local, o que tornou essa região uma das mais prósperas economicamente. Caracterizado por colônias de imigração estabelecidas pela descendência estrangeira, podemos destacar como principais pontos, as cidades de: Blumenau – SC , colônia alemã; Londrina – PR, colônia japonesa; Caxias do Sul – RS, colônia italiana. Mas a vinda desses imigrantes não foi só boa vontade do governo daquela época. O Brasil tinha acabado de terminar a sua guerra com Paraguai, que deixou muitas perdas em sua população, em virtude disso a solução foi atrair imigrantes europeus e asiáticos.
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Atualmente, a vegetação de araucária – chamada de pinheiro-do-Paraná, ou pinheiro-braseleiro – pouco resta, as indústrias de celulose e madeireiras da região, fizeram um extrativismo descontrolado que resultou no desaparecimento total em algumas áreas. Sua condição de arbórea, geralmente com mais de 30 m de altura, condiz a um solo profundo, em virtude de suas raízes estabelecerem a sustentação da própria árvore. A região das araucárias encontra-se no planalto meridional onde a altitude pode variar de 500 metros até cerca de 1.200 m. Isso evidencia um clima subtropical em toda sua extensão que mantém uma boa relação com a precipitação existente nesse domínio, variando de 1.200 a 1.800 mm. Nesse sentido, a região identifica-se com uma grande rede de drenagem em toda a sua extensão territorial. O solo é formado principalmente por latossolos brunos e também é encontrado latossolos roxos, cambissolos, terras brunas e solos litólicos. Com estas características, o solo detém uma alta potencialidade agrícola, como: milho, feijão, batata, etc. As morfologias do relevo se destacam por uma forte ondulação até um montanhoso, o que o representa num solo de fácil adesão a processos erosivos, iniciados pela degradação humana e social.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
Percebe-se atualmente que esta arbórea quase desapareceu dessa região, devido à descontrolada exploração da araucária para produção de celulose. Felizmente, medidas foram tomadas e hoje a araucária é protegida por lei estadual no Paraná. Mas os questionamentos ambientais não estão somente na vegetação. Devido este solo ser utilizado há anos vêem a ocorrer uma erosividade considerada. Em virtude do mesmo, surge a técnica de manejo agrícola chamada plantio direto, que evidencia uma proteção ao solo nu em épocas de pós-safra. Nesse sentido, o domínio morfoclimático das araucárias, que compreende uma importante área no sul brasileiro, detém um nível de conservação e reestruturação vegetal considerável. Mas não se deve estagnar esse processo positivo, pois necessitamos muito dessas terras férteis que mantém as economias locais.

VI – Domínio Morfoclimático das Pradarias
Situação Geográfica
Situado ao extremo sul brasileiro, mais exatamente a sudeste gaúcho, o domínio morfoclimático das pradarias compreende uma extensão, segundo Ab’Saber, de 80.000 km² e de 45.000 km² de acordo com Fontes & Ker – UFV. Tendo como cidades importantes em sua abrangência: Uruguaiana, Bagé, Alegrete, Itaqui e Rosário do Sul.
Características do Povoamento
Território mãe da cultura gauchesca, suas tradições ultrapassam gerações, demonstrando a força da mesma. Caracterizado por um baixo povoamento, a região destaca-se grandes pelos latifúndios agropastoris, que são até hoje marcas conhecidas dos pampas gaúchos. Os jesuítas iniciaram o povoamento com a catequização dos índios e posteriormente surgem as povoações de charqueadas. Passando por bandeirantes e tropeiros, as pradarias estagnam esse processo (ciclo do charque) com a venda de lotes de terras para militares, pelo governo federal. Devido à proximidade geográfica com a divisão fronteiriça de dois países (Argentina e Uruguai), ocorreram várias tentativas de anexação dos pampas a uma destas nações – devido aos tratados de Madrid e de Tordesilhas. Mas as tentativas foram inválidas, hoje os pampas continuam sendo parte do território brasileiro.
Características Bio-Hidro-Climáticas e Fisiográficas
Como é uma área também chamada de pradarias mistas, o solo condiz ao mesmo. Segundo Ab’Saber, que o caracteriza como diferente de todos os outros domínios morfoclimáticos, existindo o paleossolo vermelho e o paleossolo claro, sendo de clima quente e frio. Denominado um solo jovem, devido guardar materiais ferrosos e primários, sua coloração vêem a ser escura. Estabelecido por um clima subtropical com zonas temperadas úmidas e sub-úmidas, a região é sujeita a sofrer alguma estiagem durante o ano. Sua amplitude térmica alcança índices elevados, como em Uruguaiana, considera a mais alta do Brasil, com 7° a/a. Isto evidencia suas limitações agrícolas, pois o solo é pouco espesso e têm indícios de pedrugosidade. Assim, caracteriza-o a uma atividade pastoril de bovinos e ovinos. Com a utilização do solo sem controle, denota-se um sério problema erosivo que origina as ravinas e posteriormente as voçorocas. Esse processo amplia-se rapidamente e origina o chamado deserto dos pampas. A drenagem existente é perene com rios de grande vazão, como: Rio Uruguai, Rio Ibicuí e o Rio Santa Maria.
Condições Ambientais e Economicamente Sustentáveis
O domínio morfoclimático das Pradarias detém importantes reservas biológicas, como a do Parque Estadual do Espinilho (Uruguaiana e Barra do Quarai) e a Reserva Biológica de Donato (São Borja). As condições ambientais atuais fora desses parques, são muito preocupantes. Com o início da formação de um deserto que tende a crescer anualmente, essa região está sendo foco de muitos estudos e projetos para estagnar esse processo. Devido ao mau uso da terra pelo homem, como a monocultura e as queimadas, essas darão origem as ravinas, que por sua vez farão surgir às voçorocas. Como o solo é muito arenoso e a morfologia do relevo é levemente ondulado, rapidamente os montantes de areia espalham-se na região ocasionados pela ação eólica. Em virtude a tudo isso, poucas medidas estão sendo tomadas, exceto os estudos feitos. Assim, as autoridades locais deverão estar alerta, para que esse processo erosivo tenha um fim antes que torne toda as pradarias num imenso deserto.

Faixas de Transições
Encontrados entre os vários domínios morfoclimáticos brasileiros, as faixas de transições são: as Zonas dos Cocais, a Zona Costeira, o Agreste, o Meio-Norte, as Pradarias, o Pantanal e as Dunas. Espalhadas por todo o território nacional, constituem importantes áreas ambientais e econômicas.
Faixas de Transição Nordestinas
A zona dos cocais, representa uma importante fonte de renda à população nordestina, pois é nessa área principalmente, que se faz à extração dos cocos. A zona costeira detém outra característica, é uma importante região ambiental, onde se encontra a vegetação de mangue, que constitui um bioma riquíssimo em decomposição de matéria. Outra faixa de transição é o agreste, que é responsável pela produção de alimentos para o nordeste, como: leite, aves, sisal, entre outras matérias primas para indústrias. No litoral cearense, encontra-se as dunas, que é uma região de montantes de areias depositados pela ação dos ventos e de constante remodelação.
O meio-norte se estabelece entre a caatinga do sertão e a Amazônia (Maranhão e Piauí). Com uma diversidade de vegetação como cerrado e matas de cocais, o meio-norte detém sua economia na pecuária bovina, chamada de pé-duro e na criação do jegue. A carnaúba e o óleo de babaçú são outras fontes de extrativismo. Sem esquecer que todas estas zonas demonstradas situam-se na região nordestina brasileira.
Faixa de Transição da Região Sul Brasileira
Na região sul, encontra-se a zona de transição das Pradarias, que se situa entre os domínios morfoclimáticos da Araucária e das Pradarias. São geralmente campos acima de serras e são encontradas vegetações do tipo araucárias, de campo, floresta e cerrado. Assim, os sistemas naturais situados nessa região, são de fundamental importância para o meio natural envolvente a ela.
Faixa de Transição – Pantanal
O pantanal é uma das principais zonas de transição encontrada no Brasil. Ele é um complexo ambiental de suma importância, pois compreende uma grande diversidade de fauna e flora. Situado em regiões serranas e em terras altas, o pantanal é considerado um grande reservatório de água, devido encontrar-se numa depressão entre várias montanhas. Sua rede fluvial é composta por rios, como: Cuiabá, Taquari, Paraguai etc, sendo considerados rios perenes.
Como o pantanal passa por duas estações climáticas durante o ano, a seca e as cheias dos rios, essa região detém características e denominações únicas, como: “cordilheira” – que significa áreas mais altas, onde não sofrem alagamentos (pequenas elevações); salinas – regiões deprimidas que se tornam lagoas rasas e salgadas com as cheias dos rios; barreiros – são os depósitos de sal após a seca das salinas; caixas – canais que ligam lagoas, existindo somente durante as inundações; e vazante – cursos d´aguas existente durante as épocas das chuvas. Com tudo, o pantanal sofre consequências ambientais como a exploração mineral, que poluem intensamente os rios – considerados como os responsáveis pela existência da biodiversidade da região. A pecuária e a utilização de enormes monoculturas, fazem o despejo de uma grande quantidade de agrotóxicos aos rios.
Nesse sentido, a preservação dessas zonas de transição são consideradas de suma importância para a existência dos domínios morfoclimáticos brasileiros. Pois eles estabelecem uma relação direta com a fauna, flora, hidrografia, clima e morfologia, conservando o equilíbrio dos frágeis sistemas ecológicos.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Estratégia para Trabalhar Geografia

NOVAS ESTRATÉGIAS PARA TRABALHAR COM A DISCIPLINA DE GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL
Miriam Hermi Zaar
Departamento de Geografia. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
miriamzaar@yahoo.es
Solange Maria CarnielCoordenadora Pedagógica de História e Geografia, Secretaria Municipal de Educacão Cultura e Esportes de Santa Helena, Estado do Paraná
soli_nha@hotmail.com
Sabe-se que o acesso à educação formal é, ao mesmo tempo, um resultado e uma das principais causas das grandes desigualdades socioeconômicas existente no mundo que se manifestam, entre outros aspectos, na produção desigual das condições de exercício de direitos. A educação é o principal alicerce de um país. A ela também estão diretamente vinculadas a tecnologia e a economia de um país, já que o seu nível de desenvolvimento e o seu âmbito de alcance definem a formação educacional e profissional dos trabalhadores e, como consequência, as possibilidades que esse país tem para resolver os seus problemas, sejam eles sociais, alimentícios, sanitários ou econômicos.

No grande leque de possibilidades que existe na educação, queremos colocar ênfase no que pensamos ser imprescindível à sobrevivência de qualquer cidadão: o ensino fundamental, etapa de formação escolar que, no Brasil, corresponde à escolarização obrigatória. Com caráter básico e, em se tratando de países menos desenvolvidos, a única possibilidade de adquirir uma educação geral básica, o seu papel é fundamental na formação de atitudes e na criação de um senso crítico que orientará o modo de atuar dos cidadãos de uma nação.

Esse é um dos motivos pelos quais professores e demais profissionais ligados à educação em todo o mundo reivindicam uma melhor atenção aos problemas da etapa formativa correspondente ao ensino fundamental: alunos desinteressados, conteúdos desinteressantes, falta de uma metodologia que os motive a aprender, e critérios de avaliação que nem sempre são os mais eficazes.  Aspectos que levam à repetência, à desistência, mas igualmente à perda da possibilidade de formar cidadãos críticos com a realidade, e dispostos a lutar e atuar pela melhora das condições de vida nas sociedades e comunidades em que vivem.

Partindo deste princípio, o nosso objetivo é apresentar, analisar e refletir sobre os resultados de um projeto que está cumprindo quinze anos de existência: a elaboração de mapas, maquetes e livro didático para alunos de 2º ciclo do ensino fundamental[1], desenvolvido no Município de Santa Helena, Oeste do Estado do Paraná, Brasil e que, esperamos, possa servir de orientação para que outros municípios desenvolvam projetos relacionados com a aprendizagem da Geografia no ensino fundamental.

Como coordenadoras do processo, nos propomos, em este artigo, apresentar a metodologia empregada para a sua realização e, igualmente, os resultados obtidos durante todo o processo no qual participaram professores e alunos da rede municipal de ensino[2].

O tema será desenvolvido em três diferentes capítulos. Num primeiro momento, abordamos os motivos que nos levaram a criar e desenvolver o projeto. Um deles, a dificuldade em encontrar material didático que possibilitasse trabalhar os aspectos geográficos do município. Outro, a necessidade de estabelecer conteúdos e metodologias que viessem ao encontro dos objetivos propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais(PCNs) e pelas Propostas de Geografia do Currículo Básico para a Escola Pública Municipal da Região Oeste do Paraná.

No segundo capítulo, inicialmente comentamos aspectos fundamentais do projeto, como foi o interesse das escolas, de seus professores e supervisores e da equipe de ensino que apoiaram e participaram ativamente do processo de elaboração do material didático em todas as etapas. A seguir e como cerne deste trabalho, explicamos a metodologia utilizada para elaborar esse material didático e o resultado obtido, assim como as diferentes formas de trabalhar com os conteúdos do 4º ano do ensino fundamental a partir dos mapas temáticos, maquetes e exercícios elaborados para esse fim.
Finalmente, em um terceiro capítulo, apresentamos os resultados finais, a partir dos quais é avaliado até que ponto o material produzido e utilizado nas escolas municipais contribuiu para melhorar a metodologia, o conteúdo e a avaliação da disciplina de Geografia nesse ano. Também é avaliado até que ponto este material foi importante na formação do senso crítico desses alunos com respeito à realidade e à comunidade onde vivem, e como isso pode ajudar na formação do seu caráter e na sua forma de intervir e resolver problemas que envolvam diferentes escalas espaciais. Para isso entrevistamos professores e alunos que utilizaram e utilizam esse material didático.


Os  PCNs e a Proposta de Geografia do Currículo Básico para a Escola Pública Municipal da Região Oeste do Paraná: Uma tentativa de unificar a forma de ensinar e aprender Geografia?

Tanto as pesquisas geográficas como o ensino da Geografia passaram por grandes modificações nas últimas décadas. Da Geografia Tradicional, baseada no positivismo clássico e caracterizada por paisagens naturais e humanas quase sempre dissociadas, à Geografia Crítica inspirada nas ideias de Karl Marx, Elisée Reclus, Piotr Kropotkin, Henri Lefebvre e seus seguidores, e à revolução técnica que representaram os Sistemas de Informação Geográfica (SIG/GIS), não transcorreram muitas décadas, mas estas diversas perspectivas representam formas muito diferentes de entender e de pesquisar a Geografia. Tanto teoricamente, como metodologicamente, refletiram diferentes concepções de compreender as relações sociais e a natureza e por isso repercutiram na forma de ensinar Geografia no ensino fundamental, médio e universitário. 

No Brasil, os professores do ensino fundamental, influenciados por uma ou outra corrente geográfica e apoiados por propostas curriculares elaboradas nas esferas estaduais e federais, trabalharam quase sempre com conteúdos e metodologia diferentes. Alguns se sentiam mais seguros trabalhando com metodologias que haviam aprendido quando eram alunos de ensino médio ou universitário e que estavam ligadas à Geografia Tradicional, onde a descrição e a memorização eram a base da aprendizagem. Outros, a partir da expressão utilizada por Yves Lacoste "o mundo é ininteligível para quem não tem um mínimo de conhecimentos geográficos"[3], passaram a discutir a função estratégica, isto é, política e militar da geografia e se atreveram a adotar as novas perspectivas das ideias revolucionárias da Geografia Crítica, promovendo o debate de conceitos relacionados com a realidade social e antes desconhecidos. Como consequência, a partir do início da década de 1980, o ensino da Geografia se caracterizou por uma dualidade epistemológica, teórica e de conteúdos. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas, os principais problemas que apresentava o ensino da Geografia eram:

"• abandono de conteúdos fundamentais da Geografia, tais como as categorias de nação, território, lugar, paisagem e até mesmo de espaço geográfico, bem como do estudo dos elementos físicos e biológicos que se encontram aí presentes;

• são comuns modismos que buscam sensibilizar os alunos para temáticas mais atuais, sem uma preocupação real de promover uma compreensão dos múltiplos fatores que delas são causas ou decorrências, o que provoca um “envelhecimento” rápido dos conteúdos. Um exemplo é a adaptação forçada das questões ambientais em currículos e livros didáticos que ainda preservam um discurso da Geografia Tradicional e não têm como objetivo uma compreensão processual e crítica dessas questões, vindo a se transformar na aprendizagem de slogans;

• há uma preocupação maior com conteúdos conceituais do que com conteúdos procedimentais. O objetivo do ensino fica restrito, assim, à aprendizagem de fenômenos e conceitos, desconsiderando a aprendizagem de procedimentos fundamentais para a compreensão dos métodos e explicações com os quais a própria Geografia trabalha;

• as propostas pedagógicas separam a Geografia humana da Geografia física em relação àquilo que deve ser apreendido como conteúdo específico: ou a abordagem é essencialmente social e a natureza é um apêndice, um recurso natural, ou então se trabalha a gênese dos fenômenos naturais de forma pura, analisando suas leis, em detrimento da possibilidade exclusiva da Geografia de interpretar os fenômenos numa abordagem socioambiental;

• a memorização tem sido o exercício fundamental praticado no ensino de Geografia, mesmo nas abordagens mais avançadas. Apesar da proposta de problematização, de estudo do meio e da forte ênfase que se dá ao papel dos sujeitos sociais na construção do território e do espaço, o que se avalia ao final de cada estudo é se o aluno memorizou ou não os fenômenos e conceitos trabalhados e não aquilo que pôde identificar e compreender das múltiplas relações aí existentes;

• a noção de escala espaço-temporal muitas vezes não é clara, ou seja, não se explicita como os temas de âmbito local estão presentes naqueles de âmbito universal e vice-versa, e como o espaço geográfico materializa diferentes tempos (da sociedade e da natureza)"[4].
  
A isto podemos acrescentar a incoerência no modo de ensinar as dinâmicas sociais a partir de conteúdos pretensamente neutros que acabam mascarando a realidade. Isso ocorre porque os professores não relacionam o conteúdo da disciplina com a vida; é como se os alunos não estivessem vivendo situações que os conteúdos pudessem explicar ou então como se os temas abordados não tivessem relação com a realidade vivida pelo educando.

Uma realidade muito diferente da que seria a ideal, na qual o aluno deve aprender a pensar o espaço inserido no mesmo, isto é, "proporcionando a compreensão de que ele é um participante ativo na produção do espaço geográfico. A realidade tem que ser entendida como algo em processo, em constante movimento, pois a produção do espaço nunca está pronta, encerrada: há uma dinamicidade constante." [5]

Abordaremos a seguir como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e o Currículo Básico para Escola Pública Municipal - Educação Infantil e Ensino Fundamental, anos iniciais, tem estimulado novas metodologias no ensino da Geografia, e como as mesmas preparam os educandos para que façam uma análise crítica de uma realidade que está em constante transformação.


Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e a disciplina de Geografia: novos desafios?

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram elaborados sob a responsabilidade da Secretaria de Educação Fundamental e do Ministério de Educação do Brasil em 1997, com o objetivo de amenizar os problemas detectados pela Fundação Carlos Chagas, durante o seu estudo, e também para dar uma maior uniformidade à metodologia, aos conteúdos e à avaliação das disciplinas ministradas no ensino fundamental.

Com relação à disciplina de Geografia, tema de nosso estudo, a justificativa dos PCNs se baseia em que:

"O ensino de Geografia pode levar os alunos a compreenderem de forma mais ampla a realidade, possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. Para tanto, porém, é preciso que eles adquiram conhecimentos, dominem categorias, conceitos e procedimentos básicos com os quais esse campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações, de modo a poder não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza às quais historicamente pertence, mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico"[6].
  
Para tanto, além de tratar a Geografia como área, os PCNs oferecem instrumentos essenciais para a compreensão e intervenção na realidade social, como podemos observar a seguir:

"Por meio dela podemos compreender como diferentes sociedades interagem com a natureza na construção de seu espaço, as singularidades do lugar em que vivemos, o que o diferencia e o aproxima de outros lugares e, assim, adquirirmos uma consciência maior dos vínculos afetivos e de identidade que estabelecemos com ele. Também podemos conhecer as múltiplas relações de um lugar com outros lugares, distantes no tempo e no espaço, e perceber as marcas do passado no presente."[7]

Para alcançar esses objetivos, os Parâmetros Curriculares de Geografia se dividem em três partes. Uma primeira parte trata das questões metodológicas, nas quais destacam-se os conceitos, os procedimentos e atitudes que devem ser levados em consideração para que os educandos compreendam a realidade geográfica. Na segunda seção se encontram os objetivos a serem alcançados, informações de como se pode trabalhar com os conteúdos geográficos e critérios para avaliação. E, para finalizar, os Parâmetros Curriculares trazem uma série de orientações didáticas no que diz respeito à organização do trabalho escolar e aos princípios e procedimentos que o professor deve empregar no planejamento das aulas e demais atividades relacionadas com a disciplina de Geografia[8].

Neste sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), ao caracterizarem a área de Geografia no ensino fundamental, dão ênfase à sua importância social e natural, afirmando que a "Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais, bem como com os fenômenos sociais, culturais e naturais que são característicos de cada paisagem, para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição."[9]

Com o objetivo de estimular novas propostas metodológicas, destacam a importância de observar quais são as categorias mais adequadas para os alunos em relação à sua faixa etária e às capacidades que se espera que eles desenvolvam. Com essa finalidade, levantam algumas questões básicas relacionadas com o ensino nos primeiros ciclos (até 10 anos de idade). Destacamos as que cremos serem as mais importantes:

a) Propõem que as noções de paisagem, território e lugar devem ser abordadas desde os ciclos iniciais, "quando se mostram mais acessíveis aos alunos, tendo em vista suas características cognitivas e afetivas."[10]

b) Defendem que o ensino de Geografia desde as primeiras etapas de escolarização: "pode e deve ter como objetivo mostrar ao aluno que cidadania é também o sentimento de pertencer a uma realidade na qual as relações entre a sociedade e a natureza formam um todo integrado — constantemente em transformação — do qual ele faz parte e, portanto, precisa conhecer e sentir-se como membro participante, afetivamente ligado, responsável e comprometido historicamente."[11]

c) Entendem que, contrariamente às práticas metodológicas utilizadas durante décadas, que se baseavam na exposição e avaliação de conteúdos através da memorização, o educador deve desenvolver atividades que envolvam a problematização, a observação, o registro e a pesquisa dos fenômenos sociais, culturais ou naturais, buscando hipóteses e explicações para a sua interação. Tudo com o objetivo de construir noções, discutir propostas e soluções[12].

d) Consideram que "a paisagem local, o espaço vivido pelos alunos deve ser o objeto de estudo ao longo dos dois primeiros ciclos". Entretanto alertam para o fato de que "não se deve trabalhar do nível local ao mundial hierarquicamente: o espaço vivido pode não ser o real imediato, pois são muitos e variados os lugares com os quais os alunos têm contato e, sobretudo, que são capazes de pensar sobre. A compreensão de como a realidade local relaciona-se com o contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade, de modo cada vez mais abrangente, desde os ciclos iniciais."[13]

e) Metodológicamente defendem a ideia que "estudar a paisagem local ao longo dos primeiro e segundo ciclos é aprender a observar e a reconhecer os fenômenos que a definem e suas características; descrever, representar, comparar e construir explicações, mesmo que aproximadas e subjetivas, das relações que aí se encontram impressas e expressas."[14]

f) Apoiam o trabalho interdisciplinar quando comentam que a Geografia, ao pretender o estudo dos lugares, suas paisagens e território, tem buscado um trabalho interdisciplinar, lançando mão de outras fontes de informação. Mesmo na escola, a relação da Geografia com a Literatura, por exemplo, tem sido redescoberta, proporcionando um trabalho que provoca interesse e curiosidade sobre a leitura do espaço e da paisagem. É possível aprender Geografia desde os primeiros ciclos do ensino fundamental pela leitura de autores brasileiros consagrados — Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, entre outros — cujas obras retratam diferentes paisagens do Brasil, em seus aspectos sociais, culturais e naturais. Também as produções musicais, a fotografia e até mesmo o cinema são fontes que podem ser utilizadas por professores e alunos para obter informações, comparar, perguntar e inspirar-se para interpretar as paisagens e construir conhecimentos sobre o espaço geográfico[15].

g) Entendem que através da linguagem cartográfica é possível sintetizar informações, expressar conhecimentos, estudar situações, entre outras coisas — sempre envolvendo a ideia da produção do espaço: sua organização e distribuição. Nesse sentido, para os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs):

"As formas mais usuais de se trabalhar com a linguagem cartográfica na escola é por meio de situações nas quais os alunos têm de colorir mapas, copiá-los, escrever os nomes de rios ou cidades, memorizar as informações neles representadas. Mas esse tratamento não garante que eles construam os conhecimentos necessários, tanto para ler mapas como para representar o espaço geográfico.

Para isso, é preciso partir da idéia de que a linguagem cartográfica é um sistema de símbolos que envolve proporcionalidade, uso de signos ordenados e técnicas de projeção. Também é uma forma de atender a diversas necessidades, das mais cotidianas (chegar a um lugar que não se conhece, entender o trajeto dos mananciais, por exemplo) às mais específicas (como delimitar áreas de plantio, compreender zonas de influência do clima). A escola deve criar oportunidades para que os alunos construam conhecimentos sobre essa linguagem nos dois sentidos: como pessoas que representam e codificam o espaço e como leitores das informações expressas por ela." [16]

Para justificar a seleção de conteúdos de Geografia que, segundo os PCNs, "deve contemplar temáticas de relevância social, cuja compreensão, por parte dos alunos, se mostra essencial para sua formação como cidadão", os mesmos Parâmetros afirmam que "Adquirir conhecimentos básicos de Geografia é algo importante para a vida em sociedade, em particular para o desempenho das funções de cidadania: cada cidadão, ao conhecer as características sociais, culturais e naturais do lugar onde vive, bem como as de outros lugares, pode comparar, explicar, compreender e espacializar as múltiplas relações que diferentes sociedades em épocas variadas estabeleceram e estabelecem com a natureza na construção de seu espaço geográfico."[17]

Para o 1º ciclo (alunos entre 6 e 8 anos), os Parâmetros Curriculares propõem temas relacionados com a natureza, a sua conservação e transformação e como isso repercute na origem de diferentes paisagens, além de tratar das relações dos alunos com o lugar aonde vivem.

Como critérios para avaliação, os Parâmetros Curriculares propõem que o aluno reconheça aspectos importantes das relações sociais e de como essas relações se manifestam na sua vida cotidiana e na paisagem. Também menciona que o aluno deve conseguir ler, interpretar e representar o espaço bidimensionalmente, através de mapas simples[18]Metodologias e critérios, sem dúvida alguma, muito importantes para que o educando consiga apreender as noções geográficas que são tratadas no 2º ciclo (4º e 5º ano) com alunos que possuem entre 8 e 10 anos de idade.


A regionalização dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) com a elaboração do Currículo Básico para Escola Pública Municipal: Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos iniciais

Apesar da sua amplitude e da sua importância, essa não foi a única legislação em que nos baseamos para a realização do projeto. Com o objetivo de regionalizar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e adaptá-lo à realidade do Oeste do Paraná, foi elaborado, pelo Departamento de Educação da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (ASSOESTE-AMOP) o Currículo Básico Para Escola Pública Municipal: Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos iniciais.

Nesse Currículo básico, consta que o ensino de Geografia no ensino fundamental deve contribuir para o educando:

- Posicionar-se criticamente frente às desigualdades sociais, por meio da leitura dos espaços geográficos produzidos;
- Reconhecer que a produção dos espaços geográficos é produto da sociedade que o constrói por meio do trabalho humano;
- Analisar as relações da sociedade com a natureza  numa  perspectiva dialética, crítica e transformadora;
- Compreender que o uso das tecnologias é um fator determinante na produção dos espaços tanto do campo quanto urbanos, interferindo nos conceitos de temporalidade e de espacialidade;
- Situar-se crítica e construtivamente no espaço local, reconhecendo-o como parte da totalidade/mundo;
- Reconhecer-se como sujeito histórico e agente das transformações do espaço, buscando novas formas de interagir com o meio para garantir a emancipação humana e a sustentabilidade planetária;
- Formar hábitos, posturas e comportamentos voltados para o exercício de direitos e obrigações, base para construção da emancipação humana, isto é, o convívio social, o respeito e a tolerância, evitando qualquer forma de discriminação, preconceito ou estereótipos;
- Articular o ensino com a pesquisa desde o início do processo educativo. [19]


Especificamente para os alunos de 4º ano, objeto de nosso estudo, os objetivos dessa nova proposta são:

" a) Conhecer a realidade do espaço em que vive e seu pertencimento à cidade/município e ao mundo.
b) Situar-se geográfica e historicamente no espaço de cidade/município e compreendê-los como resultado da sociedade que o constrói.
c) Representar os espaços locais vividos e percebidos.
d) Perceber a interdependência entre os espaços próximos e remotos.
e) Conhecer seu município na sua organização social, econômica e política." [20]


Para alcançar esses objetivos, as propostas do Currículo Básico Para Escola Pública Municipal: Educação Infantil e Ensino Fundamental Anos iniciais, para a disciplina de Geografia propõem, para cada um dos cinco primeiros anos do ensino fundamental, 4 eixos básicos:

- Eixo 1 - Formação de conceitos de espaço e tempo;
- Eixo 2 - Representação do espaço e domínio da territorialidade;
- Eixo 3 - Relações sociais e de produção presentes nos espaços;
- Eixo 4 - Produção e transformação sócio-históricas dos espaços [21].

Além disso, a proposta também explicita, em cada conteúdo, se o mesmo deve ser tratado de forma introdutória, como noções iniciais, ou se deve ser consolidado ou aprofundado,  entendendo, neste último caso, que os temas já foram tratados em anos anteriores.